História

A Paróquia de S. Jorge das Doze Ribeiras

 

A paróquia de S. Jorge das Doze Ribeiras foi criada em finais de 1684, por desanexação da de Santa Barbara, fixando-se os seus limites entre a Ribeira das Dez e a Rocha do Peneireiro, no extremo da Serreta.

Situada a 16 Km. da sede do concelho, deve o seu nome ao facto de aqui correr a 12.ª ribeira, a contar de Angra, e o seu orago, S. Jorge, por aqui ter sido construída no início do século XVI, uma capela, sob a invocação do referido santo, nas terras que pertenceram a Marquesa Gonçalves Machado, filha de Gonçalo Anes da Fonseca e de Mécia de Andrade Machado, vindos para a Terceira, com os primeiros capitães do donatário que lhe doaram grandes extensões de terra em regime de sesmaria.

Criada a paróquia, e com o aumento da população, logo em 1707 houve necessidade de se efetuarem obras na capela, aumentando-lhe a área e melhorando-lhe o espaço. Ao longo do século XVIII, a então já igreja paroquial sofreu obras por diversas vezes no sentido de a adequarem às exigências de uma população em crescimento e do relevo alcançado pela paróquia a partir de 1863. Neste ano tem lugar, pela 1.ª vez, aqui nesta paróquia, a festa de Nossa Senhora dos Milagres, cuja imagem se encontrava na igreja paroquial, e no ano seguinte o voto dos Escravos da mesma Senhora, feito pelos mais iminentes cidadãos de Angra que se comprometeram a custear a festa.

A paróquia conta com cemitério desde 3 de Julho de 1786, apesar da lei que veio proibir os enterramentos nas igrejas só ter sido publicada a 21 de Setembro de 1835. A 9 de Agosto de 1766, aqui nasce o subdiácono José Lourenço da Rocha, figura de destaque na cultura terceirense e cujos restos mortais se encontram, atualmente, sob uma lápide na parede lateral esquerda à entrada da igreja.

Em 28 de Agosto de 1893, foi assolada por um violento ciclone que lhe arruinou a igreja e causou elevados prejuízos em culturas e habitações. Houve necessidade de reconstruir a igreja, cuja bênção ocorreu a 28 de Agosto de 1899. Nesta data aproveitou-se para deslocar o império do Espírito Santo, construído em 1891 do lado esquerdo da Canada da Igreja, para o lado esquerdo da igreja, onde se manteve até 1980.

A partir da 2.ª metade do século XX a paróquia conheceu um grande desenvolvimento a nível cultural e de estruturas: passou a dispor de novo edifício para o funcionamento da escola primária, tipo Plano dos Centenários, inaugurado a 1 de Janeiro de 1960, de rede elétrica, inaugurada a 30 de Maio de 1965 e de um edifício para sede da Junta de Freguesia, inaugurado a 12 de Janeiro de 1969. A partir de 1974 passou a contar com um grupo folclórico, criado sob a coordenação do padre João de Brito Meneses.

Em 1980, foi a ilha Terceira atingida por um violento sismo, sendo a paróquia de Doze Ribeiras uma das que registou elevados prejuízos, ficando com o seu parque habitacional completamente destruído, tal como a sua igreja. Novamente reconstruída, foi inaugurada a 23 de Abril de 1986.

A partir de 1988 a paróquia passou a dispor de uma filarmónica, a Filarmónica Rainha Santa Isabel e de uma imponente sala de espetáculos que lhe serve de sede.